Se trabalha em sustentabilidade, é provável que já tenha recebido um e-mail do CDP com um assunto como: “Poderá começar a receber pedidos dos seus clientes para divulgar através do portal CDP Supply Chain.” Acontece todos os anos entre abril e junho, o período em que grandes compradores, fabricantes, retalhistas e distribuidores solicitam formalmente dados ambientais aos seus fornecedores. O prazo habitual é por volta de 8 de junho. Todos os anos, o número de compradores que enviam estes pedidos aumenta, os dados que solicitam tornam-se mais detalhados, e o calendário mantém-se igual.
A boa notícia é que a maioria das empresas já tem os dados de que o CDP necessita. O problema real não é a recolha: é a transformação. Converter faturas em euros para consumos em MWh, agregar dados de vários centros e organizar tudo no formato que o questionário exige.
O que é um pedido CDP Supply Chain e por que chega agora
Um pedido CDP Supply Chain é um pedido formal de informação ambiental que um comprador envia aos seus fornecedores através do portal CDP. O CDP (anteriormente Carbon Disclosure Project) é o sistema de reporte ambiental mais utilizado no mundo. Criado para que empresas cotadas divulgassem riscos climáticos a investidores institucionais, evoluiu para uma ferramenta de cadeia de abastecimento: grandes corporações utilizam-no para avaliar o desempenho ambiental dos seus fornecedores.
O calendário anual é fixo. Entre abril e junho, os compradores abrem o portal e lançam os pedidos aos fornecedores. O prazo padrão de divulgação situa-se geralmente a 8 de junho, embora alguns compradores o alargem para fornecedores específicos. Quando recebe o e-mail de notificação do CDP, o tempo já está a correr.
Segundo o relatório anual do CDP de 2024, mais de 23.000 empresas divulgaram através do CDP nesse ano, com os programas de cadeia de abastecimento como uma das categorias de maior crescimento. Para empresas portuguesas sujeitas à CSRD ou que sejam fornecedoras de grupos sujeitos a obrigações de reporte, a probabilidade de receber um pedido CDP este ano é elevada.
Que dados o CDP exige: energia e resíduos em detalhe
O questionário CDP Supply Chain abrange três áreas principais: dados de energia e clima, dados de gestão de resíduos, e questões de governação e risco climático. As duas primeiras concentram a maior parte do trabalho operacional.
Bloco de energia
O bloco de energia requer dados em unidades padronizadas, não em euros ou medidas de volume:
- Consumo total de energia em MWh em todas as instalações e operações
- Desagregação por tipo de combustível: eletricidade da rede, gás natural, gasóleo, GPL, biomassa e outros combustíveis utilizados
- Percentagem de energia renovável, distinguindo entre renováveis de produção própria (como solar fotovoltaico) e eletricidade coberta por garantias de origem (GdO)
- Consumo desagregado por instalação ou local de trabalho, e por vezes por país em operações multinacionais
- Dados de frota de veículos, se aplicável, por tipo de combustível (gasolina, gasóleo, elétrico, híbrido)
- Comparação interanual para que os compradores possam avaliar tendências
Um exemplo concreto do que pode ser solicitado: “Consumo total de eletricidade renovável em 2025, em MWh, desagregado por cada uma das vossas instalações produtivas.”
Bloco de resíduos
O bloco de resíduos requer:
- Volume total de resíduos gerados no exercício, normalmente em toneladas métricas ou quilogramas
- Desagregação por perigosidade: resíduos perigosos vs. não perigosos
- Desagregação por tipologia: resíduos de embalagem, resíduos de processo, resíduos de construção, resíduos eletrónicos, entre outros
- Método de tratamento por fluxo de resíduos: reciclagem, valorização energética, aterro controlado, incineração sem recuperação de energia
- Emissões de CO2 associadas ao tratamento, quando o operador de resíduos fornece esse dado
- Identificação dos operadores de resíduos responsáveis pela recolha e tratamento
Governação e risco climático
Para além de energia e resíduos, o CDP questiona sobre a estrutura de governação climática, os objetivos de redução de emissões definidos e a exposição a riscos climáticos físicos (inundações, stress hídrico, calor extremo) e de transição (regulação, preços do carbono, mudanças tecnológicas). Para a maioria dos fornecedores de média dimensão, este bloco responde-se com documentação já existente.
O verdadeiro estrangulamento: a transformação, não a recolha
A maioria das empresas tem os dados de que o CDP necessita. O problema é que estão em formatos e locais diferentes, nenhum dos quais coincide com o que o questionário pede.
As faturas de eletricidade e gás estão em euros por período de faturação, guardadas nas finanças ou nas compras. O consumo de gasóleo da frota está em litros, numa folha de cálculo do responsável de logística. Os documentos de acompanhamento de resíduos chegam como PDFs do operador, trimestral ou anualmente. Os consumos por instalação podem estar no sistema de gestão de infraestruturas ou em ficheiros Excel locais de cada unidade fabril.
Reunir tudo isto, converter para as unidades corretas e agregar corretamente os dados demora habitualmente entre duas a quatro semanas de trabalho manual. Para empresas com vários centros ou presença em mais de um país, esse tempo multiplica-se.
A conversão de unidades é particularmente morosa. O CDP não aceita “gastámos 45.000 euros em eletricidade.” Necessita do valor em MWh, o que implica cruzar faturas com dados de tarifa ou leituras de contadores, aplicar os fatores de conversão corretos e validar a agregação.
Como preparar os dados CDP: checklist prático
Estes são os sete elementos de que necessita antes de poder preencher o questionário. Se os tiver, tem a matéria-prima. O restante é transformação e formatação.
- Faturas de eletricidade de todas as instalações (ano completo, todos os períodos)
- Faturas de gás natural e outros combustíveis estacionários
- Dados de consumo da frota em litros ou kWh, por tipo de combustível
- Garantias de origem ou contratos de eletricidade renovável, se aplicável
- Guias de transporte ou documentos de acompanhamento de resíduos de cada operador autorizado
- Documentação do tipo de tratamento por fluxo de resíduos
- Os mesmos dados do ano anterior para comparação interanual
Um erro comum é começar a recolher os dados apenas quando o portal CDP abre. Nesse momento, restam apenas quatro a seis semanas até ao prazo. Organizar a informação antes de abril significa que a transformação já está feita quando o prazo chega.
O valor reutilizável: CSRD, Taxonomia da UE, EcoVadis e Scope 3
Um dos aspetos mais subestimados da preparação de dados CDP é o seu potencial de reutilização. Os dados de energia e resíduos compilados para o CDP são, em grande medida, os mesmos que outros referenciais e clientes irão solicitar.
A CSRD, já obrigatória para as grandes empresas e a abranger gradualmente as de média dimensão, exige divulgações de emissões de Âmbito 1 e 2 ao abrigo do ESRS E1, com a mesma base de dados de energia. A Agência Portuguesa do Ambiente e a CMVM estão a reforçar as exigências de divulgação alinhadas com a Taxonomia da UE, que utilizam as mesmas métricas de energia e resíduos. As avaliações EcoVadis, utilizadas por empresas como a Renault, a Danone ou a Unilever nos seus processos de compras, trabalham com as mesmas métricas.
Os pedidos diretos de clientes globais para dados de emissões de Âmbito 3 dos fornecedores baseiam-se também nos mesmos dados de energia. Construir um conjunto de dados bem organizado para o CDP significa poder responder a todos estes requisitos a partir da mesma fonte, sem recolher novamente nada.
Como a Dcycle automatiza a preparação de dados CDP
A Dcycle está concebida para eliminar exatamente o estrangulamento descrito: a distância entre os ficheiros em bruto que tem disponíveis e os dados estruturados, com conversão de unidades e agregados, que o CDP, a CSRD e o EcoVadis exigem.
O processo funciona em três passos. Primeiro, carrega os ficheiros fonte no formato em que os tem: faturas de eletricidade em PDF, consumos de gás em Excel, guias de resíduos digitalizadas. A plataforma de recolha automatizada de dados da Dcycle processa esses ficheiros, extrai os valores relevantes, aplica as conversões de unidades corretas e organiza a informação por instalação, tipo de combustível e período. Sem conversões manuais, sem copiar e colar entre folhas de cálculo.
De seguida, configura a estrutura de reporte que necessita. Define-a uma vez e reutiliza-a em todos os referenciais. Quando um segundo cliente envia um pedido EcoVadis três meses depois, utiliza os mesmos dados com um filtro diferente. O conjunto de dados cresce e melhora com o tempo.
Solicite uma demonstração para ver como a Dcycle processa os seus ficheiros reais e que tabelas pode gerar a partir deles.
Perguntas frequentes
O que é um pedido CDP Supply Chain?
Um pedido CDP Supply Chain é um pedido formal de informação ambiental que um comprador envia aos seus fornecedores através do portal CDP (anteriormente Carbon Disclosure Project). Os compradores utilizam-no para avaliar o desempenho ambiental e a exposição ao risco climático da sua base de fornecedores. Os pedidos chegam habitualmente entre abril e junho, com prazo padrão por volta de 8 de junho.
Que dados pede o questionário CDP Supply Chain?
O questionário abrange consumo de energia (em MWh, desagregado por tipo de combustível e instalação), geração e tratamento de resíduos (em toneladas, por perigosidade e método de tratamento), e questões de governação sobre risco climático e objetivos de redução. Os blocos de energia e resíduos exigem dados do ano em curso e do ano anterior.
Porque é que o CDP pede os dados de energia em MWh e não em euros?
O CDP padroniza os dados de energia em MWh porque os euros variam consoante a tarifa, o fornecedor e o país, tornando as comparações sem sentido. O MWh é uma medida física de energia consumida, independente do preço. Converter faturas em MWh requer conhecer o preço unitário de energia aplicável ou ler diretamente os contadores.
Posso reutilizar os dados CDP para a CSRD ou para o EcoVadis?
Sim. Os dados de energia e resíduos preparados para o CDP são substancialmente os mesmos que a CSRD, a Taxonomia da UE e o EcoVadis exigem. Construir um conjunto de dados centralizado e bem estruturado para o CDP significa poder responder a todos estes requisitos a partir da mesma fonte, sem recolher novamente dados para cada referencial.
Quanto tempo demora a preparar uma resposta CDP Supply Chain?
Sem um sistema centralizado, a preparação manual demora habitualmente duas a quatro semanas para uma empresa monolocal, e mais tempo para operações com múltiplos centros ou presença internacional. O estrangulamento é a conversão de unidades e a agregação, não a disponibilidade dos dados. Com uma plataforma como a Dcycle que processa os ficheiros fonte automaticamente, o mesmo trabalho demora horas em vez de semanas.
Conclusão
Os pedidos CDP Supply Chain seguem um calendário fixo e os dados que exigem estão, na sua maioria, já disponíveis na sua empresa. O desafio é transformar faturas dispersas, guias de resíduos e folhas de cálculo no formato estruturado que o CDP necessita, antes do prazo de junho. Construir essa infraestrutura de dados resolve simultaneamente a CSRD, o EcoVadis e os pedidos diretos de clientes. Explore o hub de recursos CSRD para guias relacionados, ou solicite uma demonstração para ver como a Dcycle processa os seus ficheiros e gera as suas tabelas CDP diretamente.