Por que as organizações sem fins lucrativos precisam de praticar o que pregam
As organizações sem fins lucrativos existem para criar mudança positiva, seja protegendo ecossistemas, apoiando comunidades vulneráveis ou promovendo a educação. No entanto, muitas ONG ignoram um elemento crítico de credibilidade: a sua própria pegada ambiental. Quando uma associação de conservação envia colaboradores de avião para conferências noutros continentes, ou uma ONG de desenvolvimento utiliza geradores a diesel em terreno, a dissonância entre missão e operações torna-se difícil de ignorar.
A sustentabilidade já não é opcional para as organizações sem fins lucrativos. Doadores, financiadores institucionais e o público em geral esperam cada vez mais que as organizações demonstrem responsabilidade ambiental nas suas próprias operações. Um inquérito de 2025 do European Foundation Centre revelou que 68% das principais fundações filantrópicas incluem já critérios ambientais nos seus processos de avaliação de candidaturas. Para as ONG, medir e reduzir a pegada de carbono é simultaneamente um imperativo ético e uma necessidade estratégica.
A boa notícia é que as organizações sem fins lucrativos podem tomar medidas significativas sem grandes orçamentos. Ao compreender a origem das suas emissões e aplicar estratégias de redução direcionadas, mesmo as organizações mais pequenas podem construir programas de sustentabilidade credíveis que reforçam a sua missão e fortalecem a confiança dos doadores.
Expectativas ESG dos doadores e financiadores
O panorama de financiamento mudou significativamente. Os doadores institucionais, agências governamentais e fundações empresariais pedem agora habitualmente aos beneficiários que reportem o desempenho ambiental. Esta tendência é impulsionada por vários fatores.
Alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A maioria dos grandes financiadores adotou os ODS da ONU como quadro de reporte. As candidaturas a financiamento exigem cada vez mais que os candidatos descrevam como as suas operações se alinham com objetivos ambientais, não apenas os resultados dos seus programas.
Requisitos dos doadores empresariais. As empresas sujeitas à CSRD devem reportar o desempenho ambiental de toda a sua cadeia de valor, incluindo parcerias filantrópicas. Quando uma empresa financia uma ONG, a pegada de carbono da ONG torna-se parte das emissões de Âmbito 3 da empresa. Isto significa que os doadores empresariais precisam de dados dos seus beneficiários.
Conformidade com financiamento. Os programas financiados pela UE, as bolsas do Horizonte Europa e muitos esquemas de financiamento governamentais nacionais incluem agora reporte ambiental obrigatório. As organizações que não conseguem fornecer dados de pegada de carbono arriscam perder elegibilidade para importantes linhas de financiamento.
Para responder a estas expectativas, as organizações sem fins lucrativos precisam de abordagens sistemáticas para medir e reportar o seu impacto ambiental. Ferramentas como a recolha automatizada de dados da Dcycle permitem que organizações sem equipas dedicadas à sustentabilidade recolham dados precisos de emissões das suas operações.
Compreender as fontes de emissão das organizações sem fins lucrativos
As emissões das organizações sem fins lucrativos diferem das das empresas comerciais típicas. Enquanto a pegada de uma empresa de fabrico é dominada pelos processos de produção, as emissões das ONG concentram-se em algumas áreas-chave.
Âmbito 1: emissões diretas
A maioria das organizações sem fins lucrativos tem emissões de Âmbito 1 limitadas. Estas provêm de veículos próprios utilizados em trabalho de campo, sistemas de aquecimento em edifícios próprios e geradores em locais de programa remotos. As organizações com trabalho de campo, particularmente as que trabalham em resposta humanitária ou desenvolvimento rural, podem ter emissões de Âmbito 1 mais elevadas devido a frotas de veículos e uso de geradores.
Âmbito 2: energia adquirida
A eletricidade e o aquecimento dos escritórios representam a principal fonte de Âmbito 2. As organizações sem fins lucrativos com vários escritórios em diferentes países enfrentam o desafio de acompanhar o consumo de energia com fatores de emissão variáveis por país.
Âmbito 3: emissões indiretas
É aqui que ocorre a maioria das emissões das organizações sem fins lucrativos, e também a categoria mais difícil de medir.
- Viagens de negócios. Os voos internacionais para entrega de programas, conferências, reuniões com doadores e formação de pessoal representam a maior fonte de emissão para muitas ONG. Um único voo transatlântico de ida e volta gera aproximadamente 1,6 toneladas de CO2 por passageiro.
- Eventos e conferências. Assembleias gerais, galas de angariação de fundos, workshops de formação e campanhas de sensibilização geram emissões através do consumo de energia dos locais, catering, deslocação dos participantes e materiais impressos.
- Deslocações dos colaboradores. As deslocações para o trabalho contribuem para a pegada global, especialmente em organizações com políticas limitadas de trabalho remoto.
- Bens e serviços adquiridos. Equipamento informático, material de escritório, publicações impressas e serviços externalizados têm todos emissões incorporadas.
Mapear estas fontes com precisão é o primeiro passo para uma redução significativa. As ferramentas de medição de pegada de carbono da Dcycle permitem que as organizações sem fins lucrativos acompanhem as emissões nos três âmbitos com uma desagregação clara por atividade e categoria.
Aplicabilidade da CSRD a grandes ONG
Um equívoco comum é que a CSRD se aplica apenas a empresas com fins lucrativos. Na realidade, o âmbito da diretiva baseia-se em limiares de dimensão, não na forma jurídica. As grandes organizações sem fins lucrativos, fundações e associações que cumpram os critérios podem estar sujeitas ao reporte obrigatório de sustentabilidade ao abrigo da CSRD.
Os limiares que desencadeiam obrigações de reporte são: mais de 250 trabalhadores, volume de negócios líquido superior a 50 milhões de euros, ou total de ativos acima de 25 milhões de euros. Várias grandes ONG internacionais e fundações nacionais excedem estes limiares.
Mesmo para organizações abaixo destes limiares, o cumprimento voluntário das normas da CSRD pode ser estrategicamente valioso. Demonstra credibilidade perante os doadores, alinha o reporte com os quadros utilizados pelos parceiros empresariais e prepara a organização para potenciais requisitos regulatórios futuros.
Em Portugal, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) oferece orientação e recursos sobre gestão da pegada de carbono que são relevantes também para as organizações sem fins lucrativos com operações no país.
Estratégias práticas para reduzir as emissões das ONG
Reduzir a pegada de carbono da organização não exige uma reformulação operacional completa. Intervenções direcionadas em algumas áreas de elevado impacto podem produzir resultados significativos.
Gestão energética dos escritórios
Mude para tarifas de energia renovável onde disponíveis. Esta única ação pode reduzir as emissões de Âmbito 2 em 80% ou mais. Instale termostatos inteligentes e iluminação LED. Implemente políticas de poupança energética para equipamento informático.
Redução de viagens
As viagens representam tipicamente a maior fonte de emissão para as ONG. Estabeleça uma política de viagens que exija justificação para voos e incentive alternativas. Defina metas para substituir uma percentagem das viagens internacionais por videoconferência a cada ano. Quando as viagens são necessárias, prefira voos diretos, escolha o comboio para percursos de menos de cinco horas e considere a classe económica.
Eventos sustentáveis
Para conferências e eventos de angariação de fundos, escolha locais com boas credenciais ambientais. Priorize os formatos digitais em detrimento dos impressos. Ofereça opções de participação híbrida para reduzir as deslocações. Abasteça o catering de fornecedores locais e sazonais.
Políticas de aquisição
Adote diretrizes de aquisição sustentável que considerem o impacto ambiental dos bens e serviços adquiridos. Prefira fornecedores que possam fornecer dados de emissões dos seus produtos. Prolongue a vida dos equipamentos informáticos através de programas de reparação e renovação.
Como a Dcycle ajuda as ONG a construir programas de sustentabilidade credíveis
As organizações sem fins lucrativos enfrentam um desafio específico no reporte de sustentabilidade: orçamentos limitados e equipas reduzidas. A maioria não pode contratar um responsável de sustentabilidade dedicado ou investir em plataformas de reporte empresarial concebidas para grandes corporações.
A Dcycle responde a esta lacuna disponibilizando gestão de dados ESG acessível e adequada aos orçamentos e estruturas das ONG. A plataforma automatiza a recolha de dados de fornecedores de serviços públicos, sistemas de reserva de viagens e registos de aquisição, eliminando o acompanhamento manual em folhas de cálculo.
Os principais benefícios para as organizações sem fins lucrativos incluem cálculos automatizados de Âmbito 1, 2 e 3 com fatores de emissão verificados, relatórios prontos para doadores alinhados com o Protocolo GHG e as normas da CSRD, acompanhamento multi-local para organizações a operar em diferentes países, comparação ano a ano para demonstrar progressos na redução, e uma interface intuitiva que não requer experiência especializada em sustentabilidade.
Solicite uma demo para obter uma visão clara de como a plataforma se adapta ao seu contexto operacional e necessidades de reporte específicos.
Perguntas frequentes
As organizações sem fins lucrativos estão sujeitas à CSRD?
As grandes organizações sem fins lucrativos que cumpram os limiares de tamanho da CSRD (250 ou mais trabalhadores, volume de negócios de 50 milhões de euros ou mais, ou ativos de 25 milhões de euros ou mais) podem estar sujeitas ao reporte obrigatório. Mesmo abaixo destes limiares, muitas ONG adotam o reporte alinhado com a CSRD voluntariamente para responder às expectativas dos doadores.
Quais são as principais fontes de emissão das organizações sem fins lucrativos?
Para a maioria das ONG, as viagens de negócios (especialmente os voos internacionais) representam a maior fonte de emissão. Seguem-se o consumo de energia nos escritórios, eventos e conferências, deslocações dos colaboradores e bens e serviços adquiridos.
Como pode uma pequena ONG começar a medir a sua pegada de carbono?
Comece por recolher as suas faturas de energia, registos de viagens e principais dados de aquisição dos últimos 12 meses. Use esta informação para calcular uma pegada de base nos Âmbitos 1, 2 e 3. Uma plataforma como a Dcycle simplifica este processo ao ligar diretamente às suas fontes de dados e aplicar automaticamente fatores de emissão verificados.