Mexico torna reporte ISSB obrigatorio a partir de 2026

Cristina Alcalá-Zamora avatar Cristina Alcalá-Zamora · · 7 min de leitura
Mexico torna reporte ISSB obrigatorio a partir de 2026

Photo by Jo Wa on Unsplash

Por que a decisao da CNBV e relevante para o reporte de sustentabilidade a nivel global

A 28 de janeiro de 2025, a Comissao Nacional Bancaria e de Valores do Mexico (CNBV) publicou uma resolucao no Diario Oficial de la Federacion (DOF) que altera as disposicoes aplicaveis aos emitentes de valores mobiliarios. A resolucao torna o reporte de sustentabilidade segundo as normas do ISSB obrigatorio para todas as empresas cotadas no Mexico. Nao se trata de um enquadramento voluntario nem de um regime de cumprir ou explicar. E uma obrigacao regulatoria vinculativa.

O Mexico e o primeiro pais da America do Norte a adotar as IFRS S1 (Requisitos Gerais para a Divulgacao de Informacao Financeira Relacionada com a Sustentabilidade) e as IFRS S2 (Divulgacoes Relacionadas com o Clima) como normas obrigatorias de reporte. Enquanto o Canada, os Estados Unidos e outras economias da regiao continuam a debater o ambito e o calendario dos requisitos de divulgacao de sustentabilidade, o Mexico avancou com um calendario claro e obrigacoes executaveis.

A decisao alinha o Mexico com a tendencia global de convergencia liderada pelo ISSB. Jurisdicoes como o Reino Unido, Australia, Singapura, Nigeria e varias outras ja sinalizaram a adocao das normas ISSB. O passo do Mexico acrescenta uma economia latino-americana significativa a essa lista e gera implicacoes diretas para empresas multinacionais com operacoes ou cotacao na Bolsa Mexicana de Valores (BMV) ou na Bolsa Institucional de Valores (BIVA).

Para as empresas que ja reportam ao abrigo da Diretiva de Relato de Sustentabilidade Corporativa (CSRD) da UE, a sobreposicao com as normas ISSB e consideravel. Ambos os enquadramentos exigem a divulgacao de riscos climaticos, oportunidades, estruturas de governacao e emissoes de GEE nos ambitos 1, 2 e 3. As empresas que operam em ambas as jurisdicoes podem construir uma infraestrutura unica de recolha de dados que sirva multiplos enquadramentos, reduzindo a duplicacao e melhorando a consistencia dos dados.

Calendario e ambito: quem deve reportar e quando

A resolucao da CNBV estabelece uma implementacao faseada com prazos especificos que os emitentes de valores mobiliarios devem cumprir.

Primeiro relatorio obrigatorio: 2026 (com dados do exercicio fiscal de 2025). Todos os emitentes de valores mobiliarios regulados pela CNBV devem apresentar o seu primeiro relatorio de sustentabilidade alinhado com as Normas de Informacion de Sostenibilidad (NIS), que incorporam as IFRS S1 e IFRS S2 conforme emitidas pelo ISSB. Isto significa que as empresas precisam de ter recolhido os dados do exercicio fiscal de 2025 ao abrigo do novo enquadramento. Se a sua empresa ainda nao iniciou esta recolha de dados, a urgencia e real.

Asseguramento limitado: obrigatorio a partir do relatorio de 2026 (apresentado em 2027). A partir do relatorio que cubra o exercicio fiscal de 2026, as empresas devem obter um asseguramento limitado sobre as suas divulgacoes de sustentabilidade. Isto requer a contratacao de um terceiro independente para verificar os dados. As empresas devem comecar a selecionar prestadores de asseguramento e a estabelecer controlos internos agora, em vez de esperar ate 2027.

Asseguramento razoavel: obrigatorio a partir do relatorio de 2027 (apresentado em 2028). A escalada do asseguramento limitado para o razoavel em apenas um ano e ambiciosa segundo os padroes internacionais. O asseguramento razoavel requer testes mais extensos, amostras maiores e procedimentos de verificacao mais profundos. As empresas que tratarem o asseguramento limitado como um minimo temporario terao dificuldades em escalar os seus processos a tempo para o asseguramento razoavel.

Ambito de aplicacao. O mandato aplica-se a todos os emitentes de valores mobiliarios regulados pela CNBV. Isto abrange empresas cotadas na BMV e na BIVA, bem como outras entidades sujeitas aos requisitos de divulgacao da CNBV. As instituicoes financeiras estao atualmente excluidas enquanto a CNBV analisa como os requisitos NIS se aplicarao ao seu contexto regulatorio especifico. Esta exclusao e temporaria e esta sujeita a futura regulamentacao.

Alivios transitorios. Duas areas especificas recebem alivio transitorio. O reporte de emissoes de GEE de ambito 3 e as divulgacoes sobre investimentos sustentaveis podem ser adiados ate ao final do exercicio fiscal de 2026. Isto significa que o primeiro relatorio obrigatorio (cobrindo o EF2025) nao requer dados completos de ambito 3, mas o segundo relatorio (cobrindo o EF2026) sim. As empresas devem tratar este alivio como tempo de preparacao, nao como autorizacao para adiar completamente a recolha de dados de ambito 3.

Empresas privadas e as normas NIS A-1/B-1

Para as empresas privadas (nao cotadas), aplica-se um conjunto paralelo de normas. O Consejo Mexicano de Normas de Informacion Financiera (CINIF) emitiu as NIS A-1 e NIS B-1, que estabelecem requisitos simplificados de reporte de sustentabilidade. Estas normas sao concebidas para empresas que nao estao sujeitas a regulacao da CNBV mas que desejam alinhar-se com as praticas internacionais de reporte de sustentabilidade.

O CINIF indicou que as NIS A-1 e B-1 convergirao progressivamente com as normas ISSB ao longo do tempo. As empresas privadas que comecarem a adotar estas normas agora beneficiarao de uma transicao mais suave caso procurem posteriormente uma cotacao em bolsa ou caso o perimetro regulatorio se alargue para incluir entidades nao cotadas.

Como preparar-se: passos praticos para empresas cotadas na BMV

O cumprimento dos requisitos NIS/ISSB exige uma acao coordenada entre as equipas de sustentabilidade, financas, juridico e operacoes. Os passos seguintes abordam as areas de preparacao mais criticas.

Compare o seu reporte atual com as IFRS S1 e S2

Comece com uma analise de lacunas. Se a sua empresa ja publica um relatorio de sustentabilidade ao abrigo do GRI, SASB ou do Protocolo GEE, compare as suas divulgacoes atuais com os requisitos especificos das IFRS S1 e IFRS S2. As lacunas tipicas incluem: divulgacao ao nivel da governacao sobre a supervisao de riscos de sustentabilidade, analise quantitativa de cenarios para riscos e oportunidades climaticos, e dados granulares de emissoes de GEE desagregados por ambito e categoria.

A IFRS S1 exige a divulgacao de como os riscos e oportunidades relacionados com a sustentabilidade afetam a posicao financeira, o desempenho financeiro e os fluxos de caixa de uma empresa. Isto vai alem das descricoes narrativas. As empresas devem ligar os fatores de sustentabilidade aos resultados financeiros utilizando dados quantitativos sempre que possivel.

A IFRS S2 foca-se especificamente no clima. Exige a divulgacao de riscos e oportunidades relacionados com o clima, incluindo riscos de transicao (alteracoes politicas, mudancas tecnologicas, dinamicas de mercado) e riscos fisicos (eventos agudos, alteracoes cronicas). A norma tambem exige a divulgacao de emissoes de GEE nos ambitos 1, 2 e 3 utilizando a metodologia do Protocolo GEE.

Construa a sua infraestrutura de recolha de dados

A maior barreira para o cumprimento do ISSB sao os dados. Os dados de sustentabilidade residem tipicamente em dezenas de sistemas internos e fontes externas: faturas de servicos publicos, faturas de fornecedores, plataformas de gestao de frotas, sistemas de recursos humanos, software de contabilidade financeira. Recolher, validar e consolidar estes dados manualmente consome muito tempo e e propenso a erros.

A plataforma de recolha automatizada de dados da Dcycle liga-se diretamente a estas fontes, extraindo os dados que as empresas necessitam para o cumprimento das IFRS S1 e S2. Isto elimina os fluxos de trabalho manuais baseados em folhas de calculo e reduz o risco de erros que originam conclusoes de auditoria. Para as emissoes de ambito 1 e 2, a plataforma calcula as emissoes utilizando fatores de emissao verificados. Para o ambito 3, suporta fluxos de trabalho de envolvimento com fornecedores e metodologias de estimativa alinhadas com o Protocolo GEE.

Estabeleca a prontidao para o asseguramento desde o primeiro dia

Dada a rapida escalada do asseguramento limitado para o razoavel, as empresas devem desenhar os seus processos de dados de sustentabilidade com o asseguramento em mente desde o inicio. Isto significa estabelecer uma clara responsabilidade sobre os dados para cada metrica de divulgacao, documentar fontes de dados e metodologias de calculo, implementar fluxos de revisao e aprovacao internos, e manter trilhos de auditoria para todas as transformacoes de dados.

As capacidades de medicao da pegada de carbono da Dcycle incluem funcionalidade integrada de trilho de auditoria, assegurando que cada ponto de dados pode ser rastreado ate a sua fonte. E exatamente isto que os prestadores de asseguramento exigirao ao realizar os seus procedimentos de verificacao.

Aborde o ambito 3 de forma estrategica

O alivio temporario no reporte de ambito 3 nao e razao para o ignorar. As emissoes de ambito 3 representam tipicamente 70 % a 90 % da pegada total de GEE de uma empresa. Construir os processos de envolvimento com fornecedores, os modelos de estimativa e os canais de recolha de dados para o ambito 3 demora 12 a 18 meses na maioria das organizacoes.

As empresas que iniciarem a preparacao do ambito 3 agora terao dados de qualidade prontos para o seu segundo relatorio obrigatorio (cobrindo o EF2026). As que esperarem ate o periodo de alivio expirar enfrentarao prazos comprimidos e custos mais elevados.

Para empresas com cadeias de abastecimento complexas, comece por mapear as categorias de ambito 3 com maiores emissoes (tipicamente bens e servicos adquiridos, transporte a montante e viagens de negocios). Concentre os esforcos de recolha de dados nas categorias que representam a maior parcela das suas emissoes totais e depois alargue a cobertura ao longo do tempo.

Implicacoes para empresas multinacionais com operacoes no Mexico

O mandato da CNBV cria obrigacoes especificas para empresas internacionais com cotacoes mexicanas ou operacoes significativas no Mexico.

Reporte sob multiplos enquadramentos. As empresas tambem sujeitas a CSRD, as regras climaticas da SEC ou outros requisitos nacionais de divulgacao de sustentabilidade precisarao de mapear os requisitos NIS/ISSB contra as suas obrigacoes existentes. A boa noticia: as normas ISSB foram concebidas para a interoperabilidade. O ISSB e o EFRAG publicaram orientacoes detalhadas de interoperabilidade que mostram como as divulgacoes IFRS S1/S2 e ESRS podem ser preparadas a partir de um conjunto de dados comum. A plataforma da Dcycle suporta o reporte multi-enquadramento a partir de uma unica camada de dados, que e precisamente a abordagem de que as empresas multinacionais necessitam.

Desafios de consolidacao. As empresas-mae com filiais mexicanas devem determinar como as divulgacoes NIS mexicanas se integrarao no reporte de sustentabilidade ao nivel do grupo. Questoes de perimetros de consolidacao, fluxos de dados interempresariais e processos de asseguramento interno devem ser resolvidas bem antes do primeiro prazo de entrega.

Posicionamento competitivo. A decisao do Mexico sinaliza a investidores, clientes e reguladores em toda a America Latina que a divulgacao obrigatoria de sustentabilidade esta a chegar. As empresas que construirem capacidades robustas de reporte ISSB agora estarao melhor posicionadas a medida que outras jurisdicoes da regiao seguirem o exemplo do Mexico. O Brasil, o Chile e a Colombia ja tomaram medidas em direcao ao reporte obrigatorio de sustentabilidade, e o passo do Mexico acelera essa tendencia regional.

Para Portugal, a relevancia e igualmente clara. Empresas portuguesas cotadas na Euronext Lisboa que tenham operacoes ou interesses comerciais na America Latina devem acompanhar de perto a convergencia entre a CSRD e os mandatos ISSB em mercados como o Mexico. A Comissao do Mercado de Valores Mobiliarios (CMVM) e a Agencia Portuguesa do Ambiente continuam a monitorizar a evolucao internacional das normas de sustentabilidade, e a tendencia global favorece a interoperabilidade entre enquadramentos.

Proximos passos

A resolucao da CNBV nao deixa ambiguidade. Os emitentes de valores mobiliarios no Mexico devem reportar sob as normas NIS alinhadas com o ISSB a partir dos dados do exercicio fiscal de 2025. O asseguramento limitado segue-se imediatamente, e o asseguramento razoavel chega um ano depois. As empresas que nao iniciaram a preparacao estao ja em atraso.

Para uma visao detalhada de como a sua infraestrutura de dados atual se mapeia contra os requisitos do ISSB, solicite uma demonstracao da plataforma Dcycle. As capacidades de recolha automatizada de dados, motor de calculo multi-enquadramento e reporte pronto para auditoria da plataforma sao concebidas exatamente para este tipo de transicao regulatoria.

Contexto adicional sobre a evolucao das normas internacionais de sustentabilidade esta disponivel na colecao de reporte de pegada de carbono, que aborda a interoperabilidade entre o Protocolo GEE, o ISSB e os ESRS em profundidade.

ISSBESG ReportingComplianceSustainabilityLegislation

Precisa de orientação especializada?

A Dcycle combina automação com consultoria personalizada para simplificar a sua conformidade.

Fale com a nossa equipa

Recolha uma vez. Use em todo o lado.

Veja como a Dcycle pode reduzir o seu tempo de reporte em 70% e dar aos seus auditores o que precisam , à primeira.

Ver a Dcycle em ação