Um equivoco comum
As equipas de sustentabilidade perguntam frequentemente se o CDP e o Task Force on Climate related Financial Disclosures (TCFD) são alternativas, complementos ou camadas distintas do mesmo. A resposta e a terceira, de forma mais interessante do que se assume.
O TCFD e um quadro que define que informação climatica as empresas devem divulgar. O CDP e um sistema que operacionaliza grande parte dessa divulgação num questionário estruturado e pontuado. Não competem. Pelo contrario, o CDP e um dos canais mais estabelecidos pelos quais as empresas apresentam efetivamente a informação que o TCFD pede.
O quadro tornou se mais matizado em 2024 quando a IFRS Foundation absorveu o TCFD na IFRS S2, o novo standard global de divulgação climatica. Hoje “TCFD aligned” significa tipicamente estruturado em torno dos quatro pilares TCFD (governance, estratégia, gestão de risco, metricas e metas) e cada vez mais compativel com a IFRS S2.
Este artigo mapeia a relação, o que cada um entrega e como alinhar no seu reporting.
Os quatro pilares TCFD
O TCFD organiza a divulgação climatica em quatro pilares:
Governance: quem supervisiona riscos e oportunidades climaticos ao nível do conselho e executivo, com frequência e integração com a gestão de risco.
Estratégia: riscos e oportunidades identificados, impacto potencial em negocio, estratégia e planeamento financeiro, e a resiliencia sob diferentes cenários climaticos.
Gestão de risco: como se identificam, avaliam e gerem os riscos climaticos, e como se integram no ERM corporativo.
Metricas e metas: as metricas usadas para avaliar risco climatico, as emissões Âmbito 1, 2 e 3, e as metas e progresso.
Estes quatro pilares são hoje a espinha dorsal estrutural da IFRS S2, do ESRS E1 sob CSRD e das secções climaticas da regra SEC nos EUA. Todo grande quadro de divulgação climatica mapeia para a arquitetura TCFD.
Como o CDP entrega TCFD
O questionário CDP Climate Change esta desenhado para operacionalizar o TCFD. Cerca de 80 por cento do conteudo mapeia diretamente para recomendações TCFD:
- Governance: mapa direto. O CDP pede supervisão do conselho, responsabilidade executiva e estruturas de incentivos.
- Riscos e oportunidades: mapa para gestão de risco e partes da estratégia. O CDP pede riscos substantivos, impacto financeiro, horizonte e resposta de gestão.
- Estratégia e análise de cenários: mapa para estratégia. O CDP premeia o uso de varios cenários incluindo 1,5 a 2 graus.
- Metas e emissões: mapa para metricas e metas. O CDP pede inventarios Âmbito 1, 2 e 3, metas baseadas na ciência e relato de progresso.
A implicação prática e que uma resposta CDP Climate Change completa entrega cerca de 80 a 90 por cento do que os investidores esperam sob divulgação TCFD aligned. Muitas empresas usam a submissão CDP como base do seu relatório TCFD separado, acrescentando narrativa e integração financeira.
Onde o CDP vai além do TCFD
O scoring CDP aprofunda mais que as recomendações TCFD em varios pontos:
- Verificação e garantia: o CDP premeia verificação por terceiros do inventario; o TCFD recomenda mas não exige.
- Envolvimento com fornecedores: o CDP pede programas quantitativos, além da narrativa estratégica que o TCFD espera.
- Política pública e advocacy: o CDP pontua transparência em lobbying climatico e alinhamento com associações.
- Metricas de intensidade setoriais: o CDP inclui metricas relevantes por setor que o TCFD trata de forma mais generica.
Por isso as empresas usam o CDP para operacionalizar o TCFD: a disciplina de responder a perguntas estruturadas melhora a qualidade dos dados e da governance subjacentes, que depois alimenta o narrativa TCFD aligned mais ampla.
Onde o TCFD vai além do CDP
O TCFD pede elementos que o scoring CDP não captura por completo:
- Integração com demonstrações financeiras: o TCFD espera cada vez mais riscos climaticos refletidos em rubricas financeiras (imparidade, provisoes, ajustes de fair value). O CDP não testa essa integração.
- Narrativa orientada ao investidor: relatórios TCFD escrevem se para o leitor financeiro. As respostas CDP, embora públicas, são pontuadas por completude e estrutura, não por finura narrativa.
- Modelação financeira por cenário: o TCFD espera impacto financeiro quantificado por cenário, frequentemente mais granular do que o CDP testa.
E aqui a evolução IFRS S2 importa: empurra a integração financeira mais a frente, exigindo divulgação climatica ao mesmo nível do reporte financeiro, com o mesmo rastreio de auditoria e timing.
Como a IFRS S2 muda o quadro
Em 2024 a IFRS Foundation publicou a IFRS S2 (divulgações climaticas) e a IFRS S1 (geral). A IFRS S2 absorve efetivamente o TCFD num standard contabilistico vinculativo para jurisdições que o adotem. A adoção avanca rápido: Reino Unido, Australia, Japao, Singapura, Brasil e outros.
O impacto prático e que a divulgação alinhada com TCFD passa a ser obrigatória sob IFRS S2 com o rigor do reporte financeiro. O CDP continua a ser input valioso mas já não substituto. Quem divulga bem ao CDP esta melhor preparado para a IFRS S2.
O equivalente europeu e o ESRS E1 sob CSRD, que assenta na arquitetura TCFD e IFRS S2 e adiciona dupla materialidade e plano de transição.
Alinhamento prático
Para empresas que satisfazem CDP, TCFD aligned, IFRS S2 (onde aplicavel) e ESRS E1, a receita:
1. Um inventario de emissões. Âmbito 1, 2 e 3 calculados uma vez, alinhados com categorias do GHG Protocol referenciadas pelos quatro frameworks.
2. Uma documentação de governance. Supervisão do conselho, responsabilidade executiva, incentivos e integração com risco documentados uma vez e reutilizados.
3. Uma análise de cenários. 1,5, 2 e 3 ou mais graus. Mesmos cenários em todos os frameworks.
4. Um plano de transição. Metas validadas SBTi, alocação de capex, marcos e progresso. O mesmo plano serve os quatro.
5. Uma análise de materialidade. A CSRD exige dupla materialidade. A mesma análise identifica os temas mais relevantes para CDP, TCFD e IFRS S2.
E a mesma arquitetura descrita para CDP e CSRD. TCFD e IFRS S2 encaixam por cima.
Desalinhamentos comuns
Quando CDP, TCFD, IFRS S2 e ESRS correm como projetos separados:
- Perimetros diferentes. Listas ligeiramente diferentes de entidades, totais inconsistentes.
- Cenários diferentes. CDP usa uns, TCFD outros, ESRS outros ainda.
- Descrições de governance diferentes. A mesma supervisão descrita de forma diferente.
- Números de plano de transição diferentes. Capex e marcos inconsistentes.
Verificadores externos e analistas cruzam relatos cada vez mais. Inconsistencias geram constatações.
Onde se encaixa a Dcycle
A arquitetura integrada que sustenta CDP, TCFD aligned, IFRS S2 e ESRS E1 e o que a Dcycle foi construida para fornecer. Uma camada canonica alimenta os quatro. Governance, análise de cenários e plano de transição vivem uma vez e renderizam em cada formato. As empresas reduzem tipicamente o esforco paralelo em 50 a 70 por cento e produzem divulgações consistentes.
Para ver como se aplicaria ao seu calendário, solicite uma demo. Para contexto sobre como o CDP encaixa com CSRD, o centro de recursos cobre o ecossistema.
Reflexao final
CDP e TCFD não são alternativas. O CDP e uma das formas mais estabelecidas de operacionalizar a divulgação alinhada com TCFD, e a disciplina de dado que o CDP premeia traduz se em melhores relatos TCFD, IFRS S2 e ESRS. As empresas que constroem a arquitetura uma vez serviram quatro frameworks a partir de uma fonte. As que os tratam em separado passarao a década a reconciliar.