As faturas de energia, as reservas de viagens, os recibos de combustível e os registos de compras já dão às ONG informação sobre o seu impacto ambiental e os custos operacionais. A dificuldade está em ligar esses registos quando as equipas financeiras, os responsáveis pelos projetos e os doadores pedem relatórios diferentes, em vez de recolher novamente os mesmos dados para cada entrega.
Uma abordagem prática começa pelas atividades que a organização consegue medir e gerir. Este artigo explica como organizar as emissões nos 3 âmbitos, escolher medidas de redução e preparar evidências para os financiadores, mantendo um esforço adequado ao orçamento e à capacidade da equipa.
Ligar a missão da organização às operações quotidianas
As organizações sem fins lucrativos trabalham para gerar mudanças positivas: proteger ecossistemas, apoiar comunidades vulneráveis ou melhorar o acesso à educação. As suas próprias operações também utilizam energia, transportes, equipamentos e outros recursos. As viagens internacionais de uma associação de conservação ou os geradores de uma ONG de desenvolvimento devem integrar a avaliação ambiental, a par do impacto dos programas.
A credibilidade constrói-se explicando essa pegada operacional e as decisões tomadas para a gerir. Relacione os objetivos ambientais com questões concretas: que deslocações são necessárias para executar os projetos, onde se desperdiça energia e que compras se podem evitar? As reduções devem apoiar a missão sem comprometer serviços essenciais, segurança ou o acesso das pessoas beneficiárias.
É possível começar com uma situação de referência gerível e melhorá-la ao longo do tempo. Responsabilidades claras, pressupostos documentados e um conjunto limitado de medidas são mais úteis do que um plano ambicioso que a equipa não consegue manter. Conserve as mesmas evidências para revisões internas, candidaturas a financiamento e atualizações posteriores.
Expectativas ESG dos doadores e financiadores
Os pedidos de informação ambiental variam consoante o doador, o programa de financiamento e o acordo. Antes de preparar outro questionário ou relatório, esclareça o que é pedido, que atividades abrange e que documentação será aceite.
Alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
Se uma candidatura perguntar pelos ODS das Nações Unidas, explique a ligação entre os programas, as operações e os objetivos pertinentes. Distinga benefícios previstos de resultados medidos e sustente os valores com os registos e métodos utilizados. Uma declaração de alinhamento não substitui evidências de desempenho efetivo.
Requisitos dos doadores empresariais
Um parceiro empresarial pode pedir informação ambiental para a sua própria avaliação ou divulgação. Acorde o perímetro, o período e a finalidade antes de fornecer os dados. Não presuma que receber um donativo coloca automaticamente toda a pegada da ONG no Âmbito 3 do doador: a relação e o tratamento contabilístico aplicável exigem uma análise própria.
Gestão do risco reputacional
Os financiadores podem comparar os compromissos ambientais com as decisões operacionais. Explique as viagens necessárias, as necessidades energéticas no terreno e outras limitações, juntamente com as medidas de melhoria. Uma descrição transparente dessas condições é mais credível do que afirmar, sem reservas, que uma atividade não tem impacto ambiental.
Condições das subvenções e dos contratos
Leia o aviso, o acordo de financiamento e as instruções de prestação de informação. Os dados ambientais podem constituir uma exigência contratual, mas não existe uma única regra de reporte de carbono aplicável a todas as subvenções a ONG. Registe os indicadores, os prazos, o circuito de aprovação e os comprovativos exigidos no plano do projeto.
A recolha automatizada de dados da Dcycle ajuda a estruturar os registos ambientais uma vez para os reutilizar em relatórios, análises de poupança e decisões operacionais. Defina os resultados necessários antes de acrescentar outro processo de recolha.
Compreender as fontes de emissão das ONG
Comece por definir o perímetro da organização, as instalações, as atividades e o período. As categorias de emissões do GHG Protocol distinguem fontes diretas, energia adquirida e outras emissões da cadeia de valor. O peso de cada uma depende da atividade da ONG.
Âmbito 1: emissões diretas
O Âmbito 1 abrange emissões de fontes detidas ou controladas pela organização. Inclui, por exemplo, combustível utilizado em viaturas, caldeiras e geradores abrangidos pelo perímetro. Recolha as quantidades de combustível, os registos dos equipamentos e a informação que permite explicar as atividades incluídas. Nas organizações com operações no terreno, os registos das frotas e dos geradores também ligam o inventário às despesas de combustível e à manutenção.
Âmbito 2: energia adquirida
O Âmbito 2 abrange emissões da eletricidade, vapor, aquecimento e arrefecimento adquiridos. Conserve os consumos por escritório ou instalação e distinga a energia utilizada do respetivo fator de emissão. Quando o método aplicável o exigir, guarde a evidência contratual da eletricidade que sustenta o cálculo. Utilize períodos e unidades coerentes para explicar diferenças entre instalações.
Âmbito 3: outras emissões indiretas
O Âmbito 3 abrange outras emissões indiretas da cadeia de valor. Identifique as atividades relevantes antes de decidir onde são necessários melhores dados. As áreas a analisar podem incluir:
- Viagens de trabalho: deslocações para projetos, reuniões, formação e angariação de fundos. Utilize percursos e meios de transporte reais, em vez de um valor universal por voo.
- Eventos e conferências: viagens dos participantes, refeições, espaços e materiais, com limites que evitem contabilizar a mesma atividade 2 vezes.
- Deslocações casa-trabalho: mobilidade dos trabalhadores, com método de recolha e pressupostos documentados.
- Bens e serviços adquiridos: equipamentos, consumíveis, publicações e serviços contratados, recorrendo a dados de fornecedores ou de atividade quando disponíveis.
As capacidades de medição da pegada de carbono da Dcycle ajudam a organizar o inventário por fonte e categoria. A organização continua responsável por rever os limites, métodos, estimativas e respetivos comprovativos.
Conselho: Teste o processo com um escritório, uma viagem ou um evento antes de o alargar. Guarde o registo de origem, os pressupostos do cálculo e a pessoa responsável em conjunto, para não reconstruir a informação no relatório seguinte.
Aplicabilidade da CSRD às ONG
O estatuto de organização sem fins lucrativos não determina, por si só, a obrigação de reportar ao abrigo da CSRD. O âmbito da Diretiva Contabilística abrange determinados tipos de empresas e contém regras específicas para entidades financeiras. É necessário analisar conjuntamente a forma jurídica, a estrutura do grupo, a transposição nacional e o exercício em causa.
A alteração Ómnibus de 2026 restringe o âmbito principal de reporte na UE a empresas que ultrapassem simultaneamente 1.000 trabalhadores e 450 milhões de euros de volume de negócios líquido anual, com disposições de aplicação e transição. Os antigos valores de 250 trabalhadores, 50 milhões de euros de faturação e 25 milhões de euros de ativos não constituem um teste atual suficiente da obrigação de uma ONG.
Analise a entidade e as eventuais subsidiárias com quem prepara as contas e acompanha as obrigações legais. Uma associação, uma fundação e uma subsidiária comercial não devem ser tratadas automaticamente como tendo o mesmo regime. Em Portugal, confirme também as obrigações nacionais aplicáveis à forma jurídica e ao regime contabilístico. Um pedido de informação de um doador é distinto de uma obrigação legal de reporte.
Mesmo fora do âmbito obrigatório, dados ambientais organizados podem apoiar candidaturas e divulgações voluntárias. O artigo sobre reporte CSRD fornece contexto; depois identifique os requisitos efetivamente aplicáveis à organização.
Estratégias práticas para reduzir as emissões das ONG
Escolha medidas com base na situação de referência, nos recursos disponíveis e nas necessidades do serviço. Atribua a cada ação uma pessoa responsável e uma data de revisão, avaliando em conjunto consumo, custo e efeitos operacionais.
Gestão energética dos escritórios
Analise as faturas e a ocupação antes de substituir equipamentos ou alterar contratos. Os horários de aquecimento, a iluminação, os equipamentos ligados sem utilização e os espaços vazios são pontos de partida práticos. Compare consumos de períodos coerentes e registe mudanças de utilização para não as confundir com ganhos de eficiência.
Nas compras de eletricidade renovável, verifique os comprovativos e o método de cálculo descritos na orientação de Âmbito 2 do GHG Protocol. Uma mudança de tarifa não garante uma redução percentual fixa em todos os métodos. Avalie isolamento ou instalações solares com base nos custos, no regime de ocupação e na utilização prevista do imóvel, sem assumir um prazo universal de retorno.
Redução de viagens
Defina quando uma deslocação é necessária para executar o programa e quando é adequada a participação remota ou outro transporte. Registe a finalidade, o percurso e o meio utilizado para comparar atividades recorrentes sem prejudicar o trabalho essencial no terreno ou o acesso dos beneficiários.
Uma política útil pode estabelecer um circuito de autorização e exigir a consideração de comboio, reuniões agrupadas ou participação remota. Compare trajetos reais, em vez de atribuir o mesmo impacto a todos os voos ou ligações. Analise emissões, despesas e tempo da equipa em conjunto.
Eventos sustentáveis
Defina os limites do evento antes de pedir dados aos espaços, fornecedores de refeições e participantes. Considere participação híbrida, materiais reutilizáveis e opções de alimentação, registando as alterações. Não inclua nem exclua automaticamente viagens, energia do espaço ou atividades de fornecedores sem uma razão documentada.
Conserve os registos e pressupostos num formato reutilizável. Isso facilita a comparação com eventos posteriores e permite explicar se uma diferença resulta de melhor organização, de alterações no número de participantes ou de outro método de cálculo.
Participação do voluntariado e das partes interessadas
Convide voluntários, trabalhadores e equipas dos projetos a identificar melhorias concretas. Atribua responsabilidade pela análise das propostas e pela execução das medidas acordadas. As ações ambientais devem ter em conta acessibilidade, segurança e necessidades das pessoas apoiadas pela ONG.
Partilhe os progressos juntamente com a informação de impacto, incluindo limitações e lacunas de dados. Uma atualização breve e coerente sobre ações e resultados é mais útil do que pedir ao voluntariado que crie um processo de reporte diferente para cada solicitação.
Políticas de aquisição
Utilize os registos de compras para identificar categorias recorrentes e evitar aquisições desnecessárias. Considere reparação, recondicionamento e utilização prolongada dos equipamentos quando adequado. Peça aos fornecedores informação pertinente para a decisão, em vez de conjuntos extensos de dados que ninguém irá avaliar.
Compare adequação, custo total, vida útil e evidências ambientais disponíveis. Guarde os critérios de seleção e os documentos de suporte para que as decisões de compras contribuam tanto para o inventário de emissões como para revisões futuras.
Quer ligar os registos de energia, viagens e compras aos cálculos de emissões, à análise de custos e aos pedidos dos doadores? Descubra como a Dcycle estrutura os seus dados ambientais.
Conhecer a DcycleComo a Dcycle ajuda as ONG a organizar dados ambientais
As equipas pequenas precisam de um processo que consigam manter em paralelo com a execução dos programas. Comece pelos registos já conservados por finanças, operações e fornecedores e identifique quem fornece, revê e utiliza cada conjunto de dados. O objetivo é reduzir recolhas repetidas e preservar informação útil depois do prazo de entrega de um relatório.
A Dcycle é uma plataforma de dados ambientais que estrutura informação para vários resultados. Na avaliação, teste como os seus registos passam pela recolha, cálculo e revisão, e como os dados resultantes apoiam relatórios, análises de poupança e decisões operacionais.
Utilize uma demonstração para verificar como:
- Recolher registos ambientais das fontes utilizadas pela equipa.
- Documentar cálculos, métodos e pressupostos.
- Comparar instalações, atividades e períodos de forma coerente.
- Conservar evidências de origem e responsabilidades para revisão.
Confirme o âmbito contratado, o esforço de implementação e as responsabilidades recorrentes antes de escolher uma plataforma. Os dados organizados apoiam o trabalho, mas a ONG mantém a responsabilidade pelos limites, decisões e afirmações públicas.
Conclusão: utilizar os dados ambientais para além do próximo relatório
Um programa credível começa com registos operacionais, limites claros e decisões práticas. Meça as atividades relevantes para a organização, documente os pressupostos e utilize os resultados para escolher medidas que apoiem a missão. Verifique os requisitos concretos, em vez de tratar cada pedido de um doador como uma nova obrigação legal.
A mesma informação sobre energia, viagens e compras pode ajudar finanças a analisar custos, operações a gerir recursos e as equipas dos projetos a responder a questões de financiamento. Estruture-a uma vez, preserve os comprovativos e atualize-a de forma consistente. A gestão ambiental passa assim a integrar a atividade regular, sem ser reconstruída a cada prazo de reporte.
Traga um exemplo dos seus registos de energia, viagens ou compras. Mostramos como reutilizar a informação em relatórios, poupança e decisões operacionais com a Dcycle.
Pedir demonstraçãoPerguntas frequentes (FAQs)
As organizações sem fins lucrativos estão sujeitas à CSRD?
Depende da forma jurídica, da estrutura do grupo, da legislação nacional e do exercício. O estatuto de entidade sem fins lucrativos ou a dimensão, isoladamente, não chegam para decidir. A alteração de 2026 restringe o âmbito principal da UE a empresas que ultrapassem simultaneamente 1.000 trabalhadores e 450 milhões de euros de volume de negócios líquido anual, com regras de aplicação e transição. Analise a entidade e as subsidiárias antes de considerar o reporte obrigatório.
Quais são as principais fontes de emissão das ONG?
As fontes comuns incluem energia dos escritórios, viagens, eventos, deslocações casa-trabalho e bens ou serviços adquiridos. Entidades com viaturas, caldeiras ou geradores sob o seu controlo devem também avaliar emissões diretas. O peso de cada fonte depende da atividade: prepare uma situação de referência em vez de presumir que uma categoria é sempre a maior.
Como pode uma pequena ONG começar a medir a pegada de carbono?
Defina o perímetro e o período, depois reúna faturas de energia, registos de combustível, viagens e compras dos últimos 12 meses, quando disponíveis. Documente métodos e estimativas, atribua responsabilidades de revisão e identifique lacunas. Utilize a base para priorizar medidas práticas e melhorar a qualidade da informação nos ciclos seguintes.
Os doadores exigem dados de pegada de carbono às entidades beneficiárias?
Alguns doadores e acordos de financiamento pedem informação ambiental, mas os requisitos variam. Consulte o aviso, o contrato e as instruções para confirmar âmbito, indicadores, prazos e comprovativos. Um pedido não torna automaticamente a ONG abrangida pela CSRD, e um donativo isolado não determina a contabilização das suas emissões no inventário do doador.