O relatório ambiental do EINF é onde a maioria das empresas concentra o grosso do esforço. A lei espanhola 11/2018 exige informação sobre os efeitos atuais e previsíveis da atividade da empresa no ambiente, e as evidências que a sustentam estão dispersas por toda a organização: faturas, leituras de contadores, registos de resíduos e dados de fornecedores. Saber exatamente o que é exigido, quem detém cada dado e como o verificador o vai testar evita a correria de última hora durante a preparação da auditoria.
Este guia percorre cada tema ambiental e aborda depois a atribuição de responsáveis, os erros mais comuns e uma lista de verificação que pode reutilizar todos os anos.
O que a lei exige no pilar ambiental
A secção ambiental do EINF não é apenas uma lista de indicadores. Combina números com uma descrição de como a empresa gere o risco ambiental. Terá de abordar:
- Abordagem de gestão: políticas ambientais, procedimentos de certificação (por exemplo, ISO 14001), recursos dedicados à prevenção de riscos ambientais e aplicação do princípio da precaução
- Poluição: medidas para prevenir, reduzir ou reparar as emissões para o ar, a água e o solo, incluindo o ruído e a poluição luminosa quando relevantes para a atividade
- Economia circular e resíduos: prevenção, reciclagem, reutilização e outras formas de valorização, além de ações contra o desperdício alimentar
- Utilização sustentável dos recursos: água, matérias-primas e energia, com as medidas adotadas para as utilizar de forma mais eficiente
- Alterações climáticas: emissões de gases com efeito de estufa, medidas de adaptação e metas de redução fixadas
- Biodiversidade: medidas de proteção e impactos da atividade em áreas protegidas
Cada tema precisa de uma política ou abordagem, dos resultados dessa política e dos riscos associados. Uma tabela de números sem essa narrativa é uma das lacunas que os verificadores assinalam com mais frequência.
Emissões de gases com efeito de estufa
Reporte a pegada de carbono com uma metodologia reconhecida. O GHG Protocol é a escolha mais comum:
- Âmbito 1: emissões diretas de fontes próprias ou controladas (frota, caldeiras, fugas de gases refrigerantes)
- Âmbito 2: emissões indiretas da eletricidade, calor ou vapor adquiridos
- Âmbito 3: outras emissões indiretas (viagens de negócios, deslocações casa-trabalho, bens adquiridos, transporte), quando materiais
Indique a metodologia, as fontes dos fatores de emissão e o perímetro de reporte. Inclua uma comparação com o ano anterior e rácios de intensidade (por exemplo, tCO2e por colaborador ou por milhão de euros de volume de negócios), para que o leitor possa avaliar a evolução independentemente do crescimento. Se fixou metas de redução, reporte o progresso; se não, diga-o com clareza.
Consumo de energia
- Consumo total de energia em MWh ou GJ
- Desagregação por fonte: eletricidade, gás natural, gasóleo, outros combustíveis, renováveis
- Percentagem de energia renovável e como a comprova (por exemplo, garantias de origem)
- Medidas de eficiência energética implementadas e respetivos resultados
A energia é normalmente o dado mais simples de recolher, porque vem das faturas dos fornecedores. A dificuldade está na consistência: as empresas com muitas instalações têm de aplicar o mesmo perímetro em todas, converter corretamente as unidades e evitar a dupla contagem de fornecimentos partilhados, como um armazém cuja eletricidade é faturada ao senhorio.
Água, matérias-primas e poluição
- Consumo de água por fonte, tendo em conta as limitações locais se opera em zonas com stress hídrico
- Volumes de descarga de águas residuais e respetivo tratamento
- Consumo das principais matérias-primas e medidas para as utilizar com mais eficiência
- Emissões de poluentes atmosféricos (NOx, SOx, partículas) se a atividade os gerar
- Incidentes de contaminação do solo e respetiva remediação
Em empresas de serviços com atividade sobretudo em escritório, vários destes temas não são materiais. Pode concluí-lo, mas explique o raciocínio em vez de deixar a secção em branco.
Economia circular e resíduos
- Total de resíduos gerados por tipo (perigosos e não perigosos)
- Destino do tratamento: reciclagem, valorização, aterro
- Medidas de prevenção de resíduos e promoção da circularidade
- Ações contra o desperdício alimentar (essenciais na indústria alimentar, no retalho e na hotelaria)
Os resíduos são onde surgem mais lacunas. Os registos estão nos operadores de gestão de resíduos, vêm em unidades diferentes ou cobrem apenas algumas instalações. Peça cedo os resumos anuais aos seus operadores e concilie-os com os seus próprios registos.
Biodiversidade
- Operações em áreas protegidas ou adjacentes
- Avaliação de impactos e medidas de mitigação
- Compromissos de conservação da biodiversidade
Quem é responsável pelos dados ambientais
O pilar ambiental envolve mais departamentos do que qualquer outro. Uma distribuição típica de responsabilidades é a seguinte:
| Dado | Responsável habitual | Documentos de origem |
|---|---|---|
| Eletricidade, gás, combustíveis | Serviços gerais ou finanças | Faturas dos fornecedores, leituras de contadores |
| Combustível da frota e viagens | Gestor de frota, compras | Cartões de combustível, relatórios da agência de viagens |
| Fugas de refrigerantes | Manutenção | Registos da empresa de manutenção |
| Resíduos | Operações ou ambiente | Certificados do operador de resíduos |
| Água | Serviços gerais | Faturas da água, leituras de contadores |
| Políticas e certificações | Sustentabilidade ou qualidade | Certificados ISO, documentos de política |
Atribua um único responsável a cada dado e acorde prazos antes do fecho do exercício. O guia de recolha de dados do EINF explica como organizar este trabalho nos cinco pilares.
Como os verificadores testam o pilar ambiental
O EINF tem de ser verificado por um prestador independente de serviços de verificação, e os números ambientais são onde os verificadores passam mais tempo. Normalmente:
- selecionam uma amostra de dados e rastreiam cada um até ao documento de origem
- recalculam as emissões com os fatores de emissão declarados
- verificam se o perímetro coincide com as sociedades abrangidas no resto do EINF
- comparam o exercício com o anterior e pedem explicação para as variações significativas
Se não conseguir mostrar de onde vem um número, ele será questionado. Manter juntos a fatura, o cálculo e a aprovação de cada dado é a forma mais eficaz de encurtar a verificação.
Erros comuns
- Reportar números sem a narrativa de políticas e riscos que a lei exige
- Perímetros incoerentes, com filiais incluídas na energia mas não nos resíduos
- Fatores de emissão não documentados, impedindo o verificador de reproduzir a pegada
- Esquecer as fugas de refrigerantes no âmbito 1, uma omissão frequente
- Não explicar as variações face ao ano anterior, como uma nova instalação ou uma mudança de metodologia
Lista de verificação do pilar ambiental
- Perímetro de reporte definido e coerente com o resto do EINF
- Responsável e prazo atribuídos a cada dado
- Âmbitos 1 e 2 calculados, âmbito 3 avaliado quanto à materialidade
- Metodologia e fatores de emissão documentados
- Dados de energia, água, resíduos e matérias-primas conciliados com os documentos de origem
- Política, resultados e riscos descritos para cada tema
- Comparação com o ano anterior, com as variações explicadas
- Evidências arquivadas para cada número, prontas para o verificador
Preparar a transição para a CSRD
As empresas que avançam para o reporte CSRD devem ter em conta que as normas ambientais das ESRS (E1 a E5, sobre alterações climáticas, poluição, recursos hídricos e marinhos, biodiversidade e ecossistemas, e utilização de recursos e economia circular) vão muito além do EINF. Os dados que estruturar bem hoje são a base dessa transição.
Como a Dcycle ajuda
A Dcycle cobre o pilar ambiental de ponta a ponta. Ligue os seus fornecedores de energia ou carregue as faturas, e a plataforma calcula as emissões com fatores de emissão documentados. Com a recolha automatizada de dados, os seus dados mantêm-se atualizados ao longo do ano em vez de serem reunidos à pressa no fecho, e a rastreabilidade de evidências liga cada número ao respetivo documento de origem, para que responda rapidamente aos pedidos de amostra do verificador. Os resultados alimentam diretamente o seu projeto EINF, mapeados para os indicadores GRI correspondentes. Peça uma demonstração para ver como funciona.
Perguntas frequentes (FAQs)
O âmbito 3 é obrigatório no EINF?
A lei 11/2018 exige as emissões de gases com efeito de estufa sem detalhar âmbitos. Os âmbitos 1 e 2 são prática corrente; o âmbito 3 é esperado quando é material, e os verificadores perguntam cada vez mais como foi avaliado.
Podemos omitir temas ambientais que não se aplicam a nós?
Sim, se o tema não for material para a sua atividade, mas tem de explicar porquê. Uma secção em branco sem explicação é lida como uma omissão.
Que metodologia devemos usar para a pegada de carbono?
O GHG Protocol é a mais utilizada. Seja qual for a escolha, indique-a no relatório e documente os fatores de emissão para que o verificador possa reproduzir o cálculo.
Que evidências vai pedir o verificador?
Documentos de origem para uma amostra de números: faturas dos fornecedores, leituras de contadores, certificados do operador de resíduos e registos de combustível, além dos ficheiros de cálculo e das fontes dos fatores de emissão.