Uma União Europeia neutra em carbono até 2050: é este o objetivo do Pacto Ecológico Europeu. Para o alcançar, todos os setores da indústria e dos serviços têm de ser descarbonizados.
Um desses setores, a logística e os transportes, é responsável por quase um quarto das emissões de gases com efeito de estufa na Europa. Além disso, este setor tem encontrado dificuldades no processo de descarbonização e não alcançou as mesmas reduções de emissões que outros setores da economia.
Neste artigo, apresentamos os principais desafios que o setor enfrenta e propomos soluções práticas, apoiadas na tecnologia, para ajudar as empresas de transporte e logística no seu caminho para a descarbonização. Pronto para saber mais?
Desafios de sustentabilidade do setor
O setor da logística e dos transportes enfrenta desafios significativos na transição para uma economia descarbonizada. Surgem quatro desafios principais ao longo deste percurso:
- Compreender e aplicar os quadros regulamentares: as empresas enfrentam incertezas quanto à regulamentação local, nacional e europeia, o que pode comprometer o rigor do reporte de carbono e expô-las a riscos legais.
- Gerir os dados de forma eficaz: a complexidade dos cálculos de emissões, a falta de dados fiáveis e a digitalização limitada geram ineficiências na cadeia de abastecimento.
- Adaptar-se a mudanças constantes: a regulamentação ambiental está em evolução contínua, o que obriga a atualizar constantemente os métodos de cálculo para cumprir as normas internacionais.
- Definir metas de redução: a falta de dados fiáveis dificulta a definição de metas realistas de redução de emissões e a identificação das áreas prioritárias de intervenção.
Superar estes desafios exige um conhecimento profundo dos processos que contribuem para as emissões, bem como colaboração ao longo da cadeia de valor para implementar soluções sustentáveis de forma eficaz.
Que legislação de sustentabilidade afeta os setores da logística e dos transportes?
A nível europeu, duas diretivas fundamentais em matéria de sustentabilidade são a CSRD e o CBAM.
A Diretiva de Reporte de Sustentabilidade das Empresas (CSRD) é uma iniciativa da União Europeia que visa aumentar a transparência das atividades empresariais relacionadas com a sustentabilidade, abordando os aspetos ambientais, sociais e de governação.
As empresas abrangidas incluem as grandes empresas, as empresas cotadas (incluindo PME), as instituições financeiras e as empresas não europeias com filiais na UE.
Para compreender melhor o que é a CSRD, sugerimos a leitura do artigo Antecipe-se à regulamentação preparando-se eficazmente para a CSRD.
Por outro lado, o Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço da UE (CBAM) incide sobre as importações e exige que os importadores cumpram a regulamentação em matéria de emissões.
Os primeiros setores abrangidos incluem o cimento, o ferro e o aço, o alumínio, os fertilizantes, o hidrogénio e a eletricidade. As empresas que importam para a UE têm de obter certificados que reflitam as emissões de carbono dos produtos importados, para evitar a “fuga de carbono”.
Conheça todas as características importantes do CBAM no artigo CBAM: a chave para equilibrar o comércio internacional com um preço justo do carbono.
Que metodologia de medição da pegada de carbono deve o setor seguir?
A medição da pegada de carbono no setor da logística e dos transportes assenta em duas metodologias principais: o GLEC Framework e a norma ISO 14083.
O GLEC Framework estabelece uma metodologia normalizada para calcular as emissões de gases com efeito de estufa nas empresas de logística, com base no reconhecido Greenhouse Gas (GHG) Protocol.
Desenvolvido em 2014, este quadro uniformiza o cálculo das emissões nos vários modos de transporte, consolidando os métodos existentes e colmatando lacunas importantes na medição.
Ao utilizar este quadro, as empresas podem tomar decisões sobre transporte de mercadorias sustentável e otimizar a cadeia de abastecimento, posicionando-se como líderes em sustentabilidade.
Por outro lado, a norma ISO 14083 fornece orientações detalhadas para a quantificação e o reporte das emissões da logística, tendo em conta fatores como a distância, o tipo de combustível e a eficiência energética. Esta norma facilita um reporte transparente e coerente, permitindo uma comparabilidade e uma comunicação eficazes, tanto a nível interno como externo.
As duas abordagens complementam-se: o GLEC Framework incorpora a metodologia da ISO 14083, oferecendo às empresas de logística uma ferramenta completa para implementar práticas sustentáveis e cumprir as normas de emissões ambientais.
Próximos passos e como começar
Agora que sabemos que os relatórios de sustentabilidade podem gerar benefícios económicos significativos para as empresas de logística e transportes, melhorando a eficiência operacional e a reputação no mercado, a sua empresa está pronta para começar?
Se ainda se sente confuso quanto às metodologias, regulamentos e formas de calcular a sua pegada, a Dcycle pode ajudar.
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Através de um processo de recolha automática de dados, incorporamos as principais metodologias de medição para o setor da logística e dos transportes (GLEC 3.0), para que possa confiar nos resultados de sustentabilidade da sua empresa.
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